Avaliação de um medicamento experimental, inibidor da PARP, em pacientes com câncer de mama avançado e/ou metastático com mutação do gene BRCA

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, excluindo-se o câncer de pele. Estudos realizados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) comprovaram que em 2014 aconteceram mais de 57 mil casos de câncer de mama no Brasil. O histórico familiar é também um dos principais fatores de risco, principalmente se um ou mais parentes de primeiro grau, como mãe e irmã, tiveram a doença antes dos 50 anos, devido ao componente genético da doença.

O estudo EMBRACA é um ensaio clínico randomizado com o objetivo de avaliar a eficácia e a segurança de um medicamento experimental no tratamento de pacientes com câncer de mama, localmente avançado, ou que já tenha desenvolvido metástases, e que apresentem mutação do gene de suscetibilidade ao câncer de mama (BRCA).

Os avanços na área da biologia molecular e da genética permitiram o estabelecimento de uma correlação direta entre o desenvolvimento do câncer de mama e a presença de mutações em determinados genes. Dentre diversas possibilidades genéticas, uma parcela significativa do câncer de mama hereditário está associada a mutações nos genes BRCA.

O novo medicamento é um inibidor específico de uma enzima que realiza o reparo do DNA das células tumorais, a poli-(ADP-ribose) polimerase (PARP). A mutação no gene BRCA faz com que a célula fique mais suscetível a substâncias que bloqueiem a ação da PARP, o que não acontece em células saudáveis. Assim, espera-se que o medicamento aja de forma mais específica, inibindo a replicação do DNA das células tumorais com mutação de BRCA e poupando as células saudáveis sem mutação.